Ensaios Especiais
Ensaios in situ de precisão que utilizam sensores e sistemas eletrônicos de medição para obtenção de perfis de solos e parâmetros geotécnicos como resistência, deformabilidade e poropressão, entre outros.
Os ensaios especiais de campo fornecem informações detalhadas sobre o comportamento do solo em sua condição natural “in situ”, sem necessidade de coleta e transporte de amostras. São realizados por cravação de equipamentos instrumentados no terreno, gerando perfis contínuos de alta resolução que permitem caracterizar o subsolo com maior precisão e detalhamento.
Ensaio de Piezocone (CPTu)
O ensaio consiste na cravação de uma ponteira eletrônica no solo, a velocidade constante de 2 cm/s, medindo-se simultaneamente a resistência de ponta (qc), o atrito lateral (fs) e a pressão da água nos poros (u). Essas grandezas são registradas a cada 2 cm ao longo da profundidade, fornecendo um perfil contínuo e detalhado do subsolo. A partir dessas medidas, é possível estimar, por meio de correlações consagradas, parâmetros como: classificação e estratigrafia do subsolo, resistência ao cisalhamento não drenada (Su) em solos argilosos, ângulo de atrito efetivo (φ') e densidade relativa (Dr) em areias, história de tensões (tensão de pré-adensamento e OCR), módulo de deformabilidade e coeficiente de permeabilidade. O ensaio é normatizado pela ISO 22476-1:2022.
Ensaio de Dissipação de Poropressão
Em complemento ao CPTu, o ensaio de dissipação é realizado com o cone estacionário em profundidades de interesse, onde se monitora o decaimento, ao longo do tempo, do excesso de poropressões geradas durante a penetração. Em solos argilosos, esse processo pode ser bastante demorado, sendo o ensaio frequentemente interrompido ao atingir 50% de dissipação (t₅₀) — valor suficiente para a determinação do coeficiente de adensamento horizontal (ch) e da permeabilidade horizontal (kh), parâmetros essenciais para a previsão de recalques e análise de estabilidade de obras geotécnicas. Quando necessário, o ensaio pode ser conduzido até o equilíbrio hidrostático. Em solos arenosos, onde não há geração expressiva de excesso de poropressão durante a cravação, essa condição de equilíbrio é atingida rapidamente, permitindo determinar com precisão a posição do nível d'água.
Ensaio Dilatométrico (DMT)
O ensaio dilatométrico consiste na cravação de uma lâmina plana de aço no solo, com interrupções a cada 20 cm. Em cada parada, uma membrana metálica circular acoplada à lâmina é expandida lateralmente por gás injetado a partir da superfície, registrando-se duas leituras fundamentais: a pressão A, correspondente ao início do movimento da membrana, e a pressão B, correspondente ao deslocamento de exatos 1,10 mm. Opcionalmente, realiza-se uma terceira leitura, a pressão C, obtida durante o descarregamento da membrana, útil na caracterização das condições de drenagem do solo. A partir dessas leituras calculam-se índices que sintetizam o comportamento do solo: o índice de material (ID), que identifica o tipo de solo; o índice de tensão horizontal (KD), que reflete o histórico de carregamento e permite estimar o grau de sobreadensamento (OCR), e o coeficiente de empuxo em repouso (K₀); além do módulo dilatométrico (ED), que expressa a rigidez do solo e serve de base para o cálculo do módulo edométrico (M). O ensaio é particularmente valorizado na estimativa de parâmetros de deformabilidade e na previsão de recalques.
Ensaio Dilatométrico Sísmico (SDMT)
O ensaio dilatométrico sísmico é uma versão aprimorada do DMT, na qual dois geofones são incorporados à haste para a medição da velocidade de propagação de ondas de cisalhamento no solo (Vs), de forma similar a um ensaio geofísico do tipo downhole. Dessa medida obtém-se o módulo de cisalhamento a pequenas deformações (G₀), parâmetro fundamental para análises de resposta dinâmica do solo, incluindo a avaliação do potencial de liquefação. A principal vantagem do método está na sua eficiência: em uma única sondagem, obtêm-se simultaneamente o perfil geomecânico completo do DMT e o perfil de Vs ao longo da profundidade, reunindo em uma só operação dados que normalmente exigiriam investigações separadas.
Ensaio de Palheta (Vane Test)
Consiste na cravação de uma palheta cruciforme de aço no solo e em sua rotação em velocidade controlada, medindo o torque necessário para provocar o cisalhamento do material. O ensaio fornece a resistência não drenada em condição natural (Su) e após amolgamento, a resistência não drenada amolgada (Sur), permitindo calcular a sensitividade do solo (St = Su/Sur). Realizado conforme a norma ABNT NBR 10905, é particularmente indicado para a caracterização de argilas moles.
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